Andropausa: um nome popular para uma condição específica
O termo "andropausa" sugere uma versão masculina da menopausa, mas a comparação engana. Na menopausa, a produção hormonal dos ovários termina em um período relativamente curto e acontece em todas as mulheres. No homem, a testosterona cai de forma lenta, cerca de 1% ao ano a partir dos 30 a 40 anos, e muitos homens chegam aos 70 com níveis normais.
Por isso a medicina prefere o termo hipogonadismo de início tardio: homens mais velhos com testosterona baixa confirmada e sintomas compatíveis. Frequentemente o quadro é misto, com componente testicular e central, e fortemente influenciado por comorbidades como obesidade, diabetes e apneia do sono.
Sintomas que merecem investigação após os 40
Sexuais
- Queda de libido e de pensamentos sexuais.
- Redução das ereções matinais e espontâneas.
- Disfunção erétil ou piora da resposta aos medicamentos.
Físicos e emocionais
- Cansaço e menor disposição.
- Perda de força e massa muscular, com aumento da gordura abdominal.
- Irritabilidade, humor deprimido e dificuldade de concentração.
- Perda de massa óssea, anemia leve e redução de pelos em casos prolongados.
Esses sintomas também aparecem em depressão, hipotireoidismo, apneia do sono, efeitos de medicamentos e simples privação de sono, condições muito comuns nessa fase da vida. Por isso a "andropausa" não pode ser diagnosticada pelos sintomas.
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Agendar pelo WhatsAppComo é feito o diagnóstico
- Testosterona total entre 7h e 11h, em jejum, fora de doenças agudas.
- Confirmação com segunda dosagem em outro dia.
- SHBG e testosterona livre calculada, importantes porque a SHBG tende a subir com a idade e pode mascarar deficiência da fração livre.
- LH, FSH e prolactina, para localizar a falha.
- Avaliação de base: hematócrito, PSA e exame da próstata, perfil metabólico e densidade óssea quando indicado.
Investigação clínica no homem maduro
- Histórico clínico: doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, cirurgias e histórico familiar de câncer de próstata.
- Exames hormonais e laboratoriais: perfil hormonal completo, glicemia, hemoglobina glicada, colesterol e função tireoidiana.
- Fatores metabólicos: circunferência abdominal e síndrome metabólica, grandes supressores da testosterona.
- Sono: apneia é muito frequente após os 40 e reduz a testosterona.
- Saúde mental: depressão, luto, aposentadoria e estresse profissional.
- Uso de medicamentos: opioides, corticoides, antidepressivos e medicamentos para próstata.
- Estilo de vida: sedentarismo, álcool e alimentação.
- Relacionamento: mudanças na vida sexual do casal, inclusive a menopausa da parceira.
Tratamento
| Situação | Conduta mais provável |
|---|---|
| Testosterona normal com sintomas | Investigar e tratar outra causa |
| Testosterona baixa com obesidade ou apneia | Tratar a causa e reavaliar |
| Hipogonadismo confirmado e sintomático | Considerar reposição, com monitoramento |
| Disfunção erétil associada | Tratamento específico da ereção, com ou sem reposição |
Quando indicada, a reposição de testosterona pode ser feita com gel ou injeções. A escolha considera rotina, preferências e custo. Os benefícios mais consistentes aparecem na libido, na função sexual, no humor, na energia, na massa muscular e na densidade óssea.
Hábitos que mais influenciam a testosterona após os 40
Antes de pensar em hormônio, vale olhar para o que costuma pesar mais. Em homens maduros, alguns fatores têm impacto direto e mensurável sobre a testosterona e sobre os sintomas atribuídos à andropausa:
- Gordura abdominal: converte testosterona em estradiol e reduz o estímulo do cérebro aos testículos. Perder peso costuma elevar os níveis.
- Sono: a maior parte da testosterona é produzida durante o sono. Dormir pouco ou ter apneia derruba a produção.
- Álcool: o consumo frequente reduz a testosterona e piora a ereção e o sono.
- Treino de força: preserva massa muscular e melhora a sensibilidade à insulina, com benefício sobre energia e composição corporal.
- Medicamentos: opioides, corticoides e alguns antidepressivos podem reduzir a libido ou o hormônio, e merecem revisão com o médico que prescreveu.
O que a reposição pode e não pode oferecer
Em homens com hipogonadismo confirmado, a reposição melhora de forma consistente a libido, a função sexual, o humor, a energia, a massa muscular e a densidade óssea. Em homens com testosterona normal, não há benefício comprovado e há riscos. A reposição também não substitui o tratamento da disfunção erétil de causa vascular, que costuma exigir abordagem própria, nem a investigação de depressão ou apneia.
A decisão de repor em um homem maduro sempre considera próstata, hematócrito, risco cardiovascular e sono, e é revista periodicamente conforme a resposta clínica.
Riscos, limites e o que evitar
Reposição sem diagnóstico, em doses acima do fisiológico ou sem monitoramento, aumenta o hematócrito e o risco de trombose, pode piorar a apneia e exige vigilância da próstata. Não é indicada com câncer de próstata ativo sem acompanhamento oncológico, insuficiência cardíaca descompensada, infarto ou AVC recentes, ou hematócrito elevado.
Também é preciso honestidade: a reposição não rejuvenesce, não substitui atividade física e não resolve cansaço de outra origem. E fórmulas "naturais" para aumentar testosterona raramente têm efeito comprovado.
Dificuldade para urinar, sangue na urina ou no sêmen e dor óssea persistente em homens acima dos 50 anos exigem avaliação urológica, independentemente de sintomas hormonais.
Andropausa em Belo Horizonte
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