Azoospermia em Belo Horizonte: tipos, investigação e caminhos para ser pai biológico

Azoospermia obstrutiva e não obstrutiva: causas, exames hormonais e genéticos e chances de ser pai biológico com tratamento andrológico em Belo Horizonte.

Atualizado em 23 de setembro de 2026 | Revisado por Dr. Eduardo Mourthe, CRM-MG 54297 | RQE 44153

Azoospermia é a ausência total de espermatozoides no sêmen, mesmo após centrifugação. Atinge cerca de 1% dos homens e 10% a 15% dos inférteis, mas não significa, necessariamente, impossibilidade de ter filhos biológicos. Em Belo Horizonte, o Dr. Eduardo Mourthe define se o caso é obstrutivo ou não obstrutivo com exames hormonais e genéticos e indica o caminho com mais chance para o casal.

O que é azoospermia

Receber o resultado "ausência de espermatozoides" costuma ser devastador. O diagnóstico de azoospermia exige que nenhum espermatozoide seja encontrado no sêmen mesmo após centrifugação da amostra, em pelo menos dois exames. Quando alguns espermatozoides aparecem só após a centrifugação, o quadro se chama criptozoospermia, e isso muda bastante o prognóstico.

O primeiro passo do tratamento é definir a qual dos dois grandes grupos o caso pertence, porque causas, exames, chances e técnicas são completamente diferentes.

Azoospermia obstrutiva

O testículo produz espermatozoides normalmente, mas existe um bloqueio no caminho. O FSH costuma ser normal e os testículos têm volume preservado. As causas mais comuns são:

  • Vasectomia prévia, a causa mais frequente. Veja reversão de vasectomia.
  • Ausência congênita bilateral dos deferentes, frequentemente ligada a mutações do gene da fibrose cística, mesmo sem sintomas da doença.
  • Obstrução do epidídimo após epididimite ou trauma.
  • Obstrução dos ductos ejaculatórios, geralmente com volume de sêmen baixo e ácido.
  • Lesão do deferente em cirurgias de hérnia inguinal, especialmente na infância.

As chances de obter espermatozoides são muito altas, por reconstrução microcirúrgica ou por aspiração do epidídimo ou do testículo para fertilização in vitro com ICSI.

Azoospermia não obstrutiva

Aqui o problema está na produção. Tipicamente o FSH está elevado e os testículos são menores e mais amolecidos. As principais causas incluem:

  • Síndrome de Klinefelter (47,XXY), a alteração cromossômica mais comum em homens inférteis.
  • Microdeleções do cromossomo Y nas regiões AZFa, AZFb e AZFc.
  • Criptorquidia, mesmo corrigida na infância.
  • Orquite pós-caxumba após a puberdade.
  • Quimioterapia e radioterapia.
  • Hipogonadismo hipogonadotrófico, com FSH e LH baixos, que responde bem a tratamento hormonal.
  • Uso prolongado de testosterona ou anabolizantes.
  • Causas idiopáticas, sem fator identificável.

Mesmo na forma não obstrutiva, muitos testículos mantêm pequenos focos de produção espalhados pelo tecido. É para encontrá-los que existe a microTESE.

CaracterísticaObstrutivaNão obstrutiva
Produção no testículoPreservadaMuito reduzida ou em focos
FSHGeralmente normalGeralmente elevado
Volume testicularNormalReduzido
Técnica mais usadaReconstrução ou aspiração (PESA, TESA)MicroTESE
Chance de obter espermatozoidesMuito altaVariável conforme a causa

Recebeu diagnóstico de azoospermia? Entenda as chances reais do seu caso com uma avaliação em BH.

Agendar pelo WhatsApp

Investigação clínica antes de qualquer cirurgia

  • Histórico clínico: vasectomia, cirurgias inguinais, criptorquidia, caxumba, infecções, tratamentos oncológicos e uso de hormônios.
  • Exames hormonais: FSH, LH, testosterona, prolactina e estradiol, que localizam a falha no eixo hormonal.
  • Investigação genética: cariótipo, microdeleções do cromossomo Y e gene CFTR quando há ausência dos deferentes.
  • Fatores metabólicos: obesidade e diabetes podem piorar a produção residual e ser otimizados antes do procedimento.
  • Sono e estilo de vida: apneia, tabagismo, álcool e calor influenciam a produção intratesticular.
  • Saúde mental e relacionamento: o diagnóstico abala o casal, e o acolhimento faz parte do tratamento, inclusive na discussão de alternativas.
  • Exame físico e imagem: volume testicular, deferentes, varicocele e ultrassom de bolsa escrotal com Doppler.

Saber as chances antes da cirurgia evita procedimentos sem benefício e permite que o casal decida com informação, sincronizando a cirurgia com a equipe de reprodução humana.

Tratamentos possíveis

Tratamento hormonal

No hipogonadismo hipogonadotrófico, gonadotrofinas como hCG e FSH podem fazer os espermatozoides voltarem ao sêmen. Na recuperação após anabolizantes, protocolos específicos ajudam a reativar o eixo. Veja recuperação hormonal após anabolizantes.

Correção de varicocele

Em homens selecionados com azoospermia ou criptozoospermia e varicocele palpável, a correção microcirúrgica pode fazer espermatozoides reaparecerem no ejaculado.

Recuperação cirúrgica de espermatozoides

PESA, TESA, TESE e microTESE buscam espermatozoides no epidídimo ou no testículo para fertilização in vitro com ICSI. Os excedentes podem ser congelados para tentativas futuras.

O impacto emocional do diagnóstico

Para muitos homens, a azoospermia é vivida como uma ameaça à própria identidade. É comum surgirem culpa, vergonha, medo de decepcionar a parceira e isolamento. Esses sentimentos são legítimos e fazem parte da consulta. Entender a causa, conhecer as chances reais e saber que existem caminhos, inclusive quando a paternidade biológica não é possível, costuma reduzir muito a angústia.

O casal decide junto em cada etapa. Quando necessário, o acompanhamento psicológico é indicado como parte do tratamento, não como um sinal de fraqueza.

Criptozoospermia: uma diferença importante

Quando um laboratório experiente centrifuga a amostra e encontra alguns espermatozoides, o diagnóstico passa a ser criptozoospermia. Isso significa que existe produção, ainda que mínima, e que esses espermatozoides podem ser congelados a partir do próprio ejaculado para uso em ICSI. Por isso, antes de concluir por azoospermia, é fundamental repetir o exame com técnica adequada.

Limites e expectativas realistas

A microTESE encontra espermatozoides em uma parcela expressiva dos homens com azoospermia não obstrutiva, mas não em todos. Deleções completas de AZFa ou AZFb contraindicam a cirurgia. Encontrar espermatozoides também não garante gravidez, que depende da qualidade dos gametas, da idade da parceira e do laboratório. Quando não há espermatozoides, o casal é orientado sobre alternativas como sêmen de doador ou adoção.

Nunca inicie testosterona por conta própria para "tratar" cansaço ou libido se há desejo de ter filhos: ela pode causar ou agravar a azoospermia.

Azoospermia em Belo Horizonte

O Dr. Eduardo Mourthe tem ampla experiência em microTESE e é responsável pelo fator masculino na Clínica Huntington Pró-Criar. A avaliação acontece na Clínica Be Light, bairro Santo Antônio, com consulta de 60 a 90 minutos. Veja também infertilidade masculina.

Um diagnóstico de azoospermia não encerra o caminho. Agende sua avaliação.

Agendar consulta

Perguntas frequentes

Tenho azoospermia. Ainda posso ser pai biológico?

Em muitos casos, sim. Na azoospermia obstrutiva as chances de obter espermatozoides são muito altas. Na não obstrutiva, a microTESE encontra espermatozoides em uma parcela significativa dos homens, dependendo da causa.

Como saber se a azoospermia é obstrutiva ou não obstrutiva?

A combinação de exame físico, volume testicular, FSH, volume do sêmen e presença dos deferentes costuma diferenciar os dois grupos. FSH normal e testículos de volume preservado sugerem obstrução, enquanto FSH elevado e testículos menores sugerem falha de produção.

Por que fazer exames genéticos antes da cirurgia?

Porque algumas alterações, como deleções completas das regiões AZFa ou AZFb do cromossomo Y, praticamente eliminam a chance de encontrar espermatozoides e contraindicam a cirurgia. Outras podem ser transmitidas ao filho e exigem aconselhamento genético.

Anabolizantes podem causar azoospermia?

Sim. Testosterona e anabolizantes suprimem LH e FSH e podem zerar a produção de espermatozoides. Na maioria dos homens a produção volta após a suspensão, em 6 a 24 meses, e protocolos hormonais podem acelerar essa recuperação.

A azoospermia pode ser tratada com remédio?

No hipogonadismo hipogonadotrófico, em que a falha está no comando hormonal, gonadotrofinas podem restaurar a produção com resultados frequentemente excelentes. Nas demais causas, o tratamento costuma ser cirúrgico.

Fontes e referências

Dr. Eduardo Mourthe: formação e credenciais

O Dr. Eduardo Mourthe é urologista com atuação exclusiva em Andrologia desde 2019, dedicado à saúde reprodutiva, sexual e hormonal do homem. Atende na Clínica Be Light, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, e é responsável pelo diagnóstico e tratamento do fator masculino na Clínica Huntington Pró-Criar Medicina Reprodutiva.

  • Residência em Cirurgia do Trauma no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
  • Formação em Urologia em Santos (SP).
  • Fellowship em Andrologia pela UNIFESP, como primeiro fellow do programa.
  • Acompanhamento de pacientes do banco de sêmen do Instituto de Reprodução Humana (IRH) desde 2014.
  • CRM-MG 54297 | RQE 44153.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pelo Dr. Eduardo Mourthe. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Se tiver sintomas, procure atendimento médico; em caso de urgência, vá ao pronto-atendimento mais próximo.

Fale com a gente
Botão WhatsApp