Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia não é o primeiro passo para toda curvatura. Na doença de Peyronie, ela só entra em cena na fase crônica, quando a curvatura está estável e sem dor há pelo menos 3 a 6 meses. Na curvatura congênita, presente desde a adolescência, a indicação existe quando o ângulo dificulta a penetração ou causa dor na parceria.
Os critérios mais comuns para indicar a correção são:
- Deformidade que dificulta ou impede a penetração.
- Estreitamento com instabilidade, o chamado efeito dobradiça.
- Sofrimento importante com a aparência ou a função, mesmo após tratamento clínico.
- Disfunção erétil associada sem resposta a medicamentos, situação em que a prótese corrige os dois problemas.
As três estratégias cirúrgicas
Plicatura da túnica albugínea
Pontos aplicados no lado oposto à curvatura para retificar o pênis. É indicada para curvaturas moderadas, sem estreitamento importante, em homens com boa ereção, e é a técnica mais usada na curvatura congênita. Tem baixo risco de piorar a função erétil, mas causa algum grau de encurtamento, geralmente pequeno.
Incisão ou excisão parcial da placa com enxerto
A placa é incisada ou parcialmente retirada e o defeito é coberto com um enxerto. É indicada para curvaturas mais acentuadas, deformidades complexas ou estreitamentos, em homens com ereção preservada. Mantém melhor o comprimento, mas tem maior risco de piora da função erétil no pós-operatório.
Prótese peniana com modelagem
Para homens com Peyronie e disfunção erétil que não responde a medicamentos. A prótese peniana inflável corrige a disfunção e, com manobras de modelagem durante a cirurgia e, quando necessário, incisões complementares na placa, retifica o pênis em um único procedimento.
| Técnica | Melhor candidato | Comprimento | Risco para a ereção |
|---|---|---|---|
| Plicatura | Curvatura moderada, boa ereção | Pequeno encurtamento | Baixo |
| Enxerto | Curvatura acentuada ou estreitamento, boa ereção | Melhor preservado | Maior |
| Prótese com modelagem | Peyronie com disfunção erétil | Depende da fibrose prévia | A prótese assume a ereção |
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Agendar pelo WhatsAppAvaliação pré-operatória
- Histórico clínico: tempo de doença, estabilidade da curvatura, dor, tratamentos prévios e cirurgias.
- Exames hormonais e laboratoriais: glicemia, hemoglobina glicada, testosterona e exames pré-anestésicos.
- Fatores metabólicos: diabetes e tabagismo aumentam o risco de complicações e de piora da ereção.
- Sono e saúde mental: expectativas realistas e impacto emocional da deformidade.
- Uso de medicamentos: anticoagulantes e antiagregantes ajustados antes da cirurgia.
- Estilo de vida: parar de fumar melhora a cicatrização.
- Relacionamento: dor ou desconforto da parceria e prioridades do casal.
- Medidas objetivas: ângulo da curvatura, comprimento esticado e presença de estreitamento.
O Doppler peniano é decisivo: um homem com ereção de boa qualidade pode ser candidato a enxerto, enquanto um homem com circulação comprometida pode ter piora da ereção com essa técnica e se beneficiar mais da plicatura ou da prótese.
Recuperação
As cirurgias são feitas em ambiente hospitalar, com anestesia raquidiana ou geral e internação curta. Nas primeiras semanas, é normal inchaço, hematoma e alteração temporária da sensibilidade. Curativos, analgésicos e orientações de higiene são fornecidos, e o retorno à atividade sexual costuma ocorrer entre 4 e 6 semanas. Em alguns casos, a tração peniana no pós-operatório ajuda a preservar comprimento.
Como a técnica é escolhida na prática
A escolha não segue uma regra única. Três situações ilustram como os dados da avaliação mudam a decisão:
Curvatura moderada com boa ereção
Um homem com curvatura dorsal estável, sem estreitamento, comprimento satisfatório e ereção firme no Doppler costuma ser bom candidato à plicatura. O pequeno encurtamento esperado é discutido antes, e a recuperação tende a ser mais simples.
Curvatura acentuada com estreitamento
Quando há curvatura importante associada a afinamento em ampulheta e efeito dobradiça, a plicatura isolada pode não corrigir a instabilidade e encurtar demais. Se a ereção é de boa qualidade, o enxerto passa a ser considerado, com conversa franca sobre o risco de piora da função erétil.
Curvatura com disfunção erétil
Se a ereção já não responde a medicamentos, corrigir apenas a curvatura não resolve a vida sexual. Nesses casos, a prótese peniana com modelagem trata os dois problemas em um único procedimento.
Em todos os cenários, a prioridade do paciente pesa: alguns valorizam mais o comprimento, outros a segurança da ereção. A decisão final é compartilhada.
Riscos e limites
- Encurtamento, maior na plicatura.
- Piora da função erétil, maior nas técnicas com enxerto.
- Curvatura residual ou recidiva, em geral pequena.
- Alteração de sensibilidade da glande, geralmente transitória.
- Nódulos palpáveis dos pontos, hematoma e infecção.
A cirurgia não recupera integralmente o comprimento já perdido pela doença e não é indicada na fase aguda. Promessas de "pênis perfeito" não fazem parte de uma conduta responsável.
Após a cirurgia, dor intensa progressiva, sangramento contínuo, febre ou dificuldade para urinar devem ser comunicados imediatamente à equipe.
Riscos de soluções sem avaliação
Aparelhos de "correção" sem orientação, injeções de substâncias não indicadas e procedimentos feitos fora de ambiente adequado podem agravar a fibrose e dificultar uma cirurgia futura.
Cirurgia de curvatura em Belo Horizonte
O Dr. Eduardo Mourthe planeja a correção com base em medidas, Doppler e prioridades do paciente, na Clínica Be Light, bairro Santo Antônio. A decisão é compartilhada, com explicação clara do que cada técnica pode oferecer.
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