O homem também precisa ser investigado
Estima-se que a infertilidade afete cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva. Ao contrário do que ainda se imagina, o homem participa em aproximadamente metade dos casos, às vezes como causa única e às vezes somando-se a alterações femininas.
Mesmo assim, é comum que a investigação se concentre na mulher enquanto o homem faz, no máximo, um espermograma interpretado de forma isolada, sem exame físico e sem avaliação hormonal. O resultado são casais encaminhados diretamente para técnicas de alto custo sem que uma causa masculina tratável tenha sido identificada.
Como funciona a fertilidade masculina
Os espermatozoides são produzidos nos túbulos seminíferos dos testículos, em um processo chamado espermatogênese, que dura cerca de 74 dias. Isso tem uma consequência prática: qualquer mudança, como uma febre alta, um ciclo de anabolizantes ou a correção de uma varicocele, leva cerca de três meses para aparecer no espermograma.
O processo é comandado pelo eixo hormonal. A hipófise produz LH, que estimula a testosterona dentro do testículo, e FSH, que atua diretamente na produção de espermatozoides. Quando o homem usa testosterona de fora, o cérebro reduz LH e FSH e a produção de espermatozoides cai, podendo chegar a zero. Depois de produzidos, os espermatozoides percorrem epidídimo e ducto deferente e se misturam às secreções da próstata e das vesículas seminais. Falhas em produção, hormônios ou transporte podem causar infertilidade.
Principais causas do fator masculino
- Varicocele: dilatação das veias do cordão espermático, presente em 35% a 40% dos homens com infertilidade primária. É a causa corrigível mais comum. Veja a página sobre varicocele.
- Alterações hormonais: hipogonadismo, hiperprolactinemia, alterações da tireoide e excesso de estrogênio ligado à obesidade.
- Uso de testosterona e anabolizantes: suprimem a produção e podem causar azoospermia.
- Causas genéticas: síndrome de Klinefelter, microdeleções do cromossomo Y e mutações do gene da fibrose cística.
- Obstruções: vasectomia, infecções prévias e ausência congênita dos deferentes.
- Infecções e inflamações: prostatite, epididimite, clamídia e gonorreia.
- Distúrbios ejaculatórios: ejaculação retrógrada e anejaculação.
- Hábitos e exposições: tabagismo, álcool, cannabis, calor frequente, pesticidas e solventes.
- Idade paterna: a partir dos 40 a 45 anos há aumento gradual da fragmentação do DNA espermático.
Investigação clínica completa do fator masculino
História clínica e estilo de vida
Tempo de tentativa, gestações anteriores do homem e da parceira, frequência sexual, uso de lubrificantes (alguns são espermicidas), doenças da infância, cirurgias, medicamentos, anabolizantes, exposições ocupacionais, sono, peso, estresse e a investigação já feita na parceira. A saúde mental do casal também é considerada: a incerteza sobre a paternidade costuma ser a dor mais pesada desse processo.
Exame físico
Volume e consistência dos testículos, presença e grau de varicocele, palpação dos epidídimos e dos deferentes (a ausência do deferente muda toda a investigação) e sinais de deficiência hormonal.
Espermograma
Idealmente dois exames, com intervalo de algumas semanas e abstinência de 2 a 7 dias. Um resultado isolado não define diagnóstico. Os tipos de alteração estão detalhados em espermograma alterado.
Exames hormonais, metabólicos e de imagem
Testosterona total, LH, FSH, prolactina e estradiol, com glicemia e perfil metabólico quando há excesso de peso. O ultrassom de bolsa escrotal com Doppler avalia volume testicular, varicocele e lesões, lembrando que homens inférteis têm maior risco de tumor de testículo.
Investigação genética e exames complementares
Cariótipo e microdeleções do cromossomo Y em azoospermia não obstrutiva ou oligozoospermia grave, pesquisa do gene CFTR na ausência dos deferentes, fragmentação do DNA espermático, urina pós-ejaculação e cultura de sêmen quando indicados. O resultado orienta o tratamento e o aconselhamento genético do casal.
O casal tenta engravidar sem sucesso? A avaliação do fator masculino em BH não deve ser adiada.
Agendar pelo WhatsAppTratamentos disponíveis
| Situação | Abordagem possível |
|---|---|
| Hábitos, peso, anabolizantes, infecções | Correção de fatores reversíveis, com reavaliação em 3 a 6 meses |
| Hipogonadismo hipogonadotrófico | Gonadotrofinas (hCG e FSH), com bons resultados mesmo na azoospermia |
| Varicocele palpável com espermograma alterado | Varicocelectomia microcirúrgica subinguinal |
| Azoospermia | Recuperação cirúrgica de espermatozoides, incluindo microTESE, para FIV com ICSI |
| Tratamento oncológico ou adiamento da paternidade | Preservação da fertilidade com congelamento de sêmen |
A reprodução assistida é uma ferramenta valiosa, mas a indicação deve vir depois da avaliação do homem, não no lugar dela. Não é raro que um casal encaminhado para fertilização in vitro descubra uma alternativa mais simples e de menor custo após a avaliação andrológica. Quando a reprodução assistida é o melhor caminho, o trabalho integrado com a equipe de reprodução humana define o momento e a técnica.
Limites, riscos e o que evitar
- Testosterona não trata infertilidade: ao contrário, pode causá-la. Homens que desejam filhos não devem iniciar reposição sem discutir esse efeito.
- Nem toda varicocele deve ser operada, e a cirurgia não garante gravidez.
- Suplementos não são tratamento universal e não substituem o diagnóstico.
- Algumas alterações genéticas, como deleções completas de AZFa ou AZFb, praticamente eliminam a chance de encontrar espermatozoides. Saber disso antes evita cirurgias sem benefício e permite discutir sêmen de doador ou adoção.
Procure avaliação sem demora se notar nódulo no testículo, dor escrotal persistente ou redução do volume testicular. Na infertilidade, a idade da parceira é um fator de tempo: adiar a investigação do homem reduz as opções do casal.
Avaliação do fator masculino em Belo Horizonte
O Dr. Eduardo Mourthe acompanha pacientes de banco de sêmen desde 2014 e é o responsável pelo diagnóstico e tratamento do fator masculino na Clínica Huntington Pró-Criar Medicina Reprodutiva. O atendimento acontece na Clínica Be Light, no bairro Santo Antônio, com consultas de 60 a 90 minutos em que a parceira pode e deve participar.
Quer entender as chances reais do casal e o melhor caminho? Agende a avaliação andrológica.
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