Por que a microTESE existe
Na azoospermia não obstrutiva, a produção de espermatozoides não é uniforme. A maior parte do testículo pode estar sem produção, mas pequenos focos de túbulos seminíferos ainda produtivos costumam estar espalhados pelo tecido. Na biópsia convencional, os fragmentos são retirados às cegas, com chance de não atingir esses focos e com retirada de mais tecido.
Na microTESE, o testículo é aberto e examinado com microscópio cirúrgico de alta magnificação. Os túbulos mais dilatados e opacos, que têm maior probabilidade de conter espermatozoides, são identificados e retirados seletivamente. O resultado é maior taxa de recuperação de espermatozoides, com menor retirada de tecido e menor impacto sobre a produção de testosterona.
Para quem é indicada
- Azoospermia não obstrutiva confirmada, após investigação hormonal e genética.
- Síndrome de Klinefelter, na qual a microTESE é a técnica de escolha.
- Criptozoospermia ou oligozoospermia muito grave, em casos selecionados.
- Falha prévia em biópsias convencionais.
- Preservação da fertilidade antes de tratamento oncológico em homens sem espermatozoides no sêmen.
Quando não é indicada
- Deleções completas das regiões AZFa ou AZFb do cromossomo Y, com chance praticamente nula de encontrar espermatozoides.
- Azoospermia obstrutiva, em que técnicas mais simples, como aspiração do epidídimo ou do testículo, ou a reconstrução microcirúrgica, são suficientes.
- Hipogonadismo hipogonadotrófico ainda não tratado, que costuma responder a gonadotrofinas e pode dispensar a cirurgia.
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Agendar pelo WhatsAppPreparo e investigação antes do procedimento
A preparação é parte essencial do sucesso. Antes de indicar a microTESE, a investigação clínica considera:
- Histórico clínico: criptorquidia, caxumba, quimioterapia, radioterapia, uso de anabolizantes e biópsias anteriores.
- Exames hormonais: FSH, LH, testosterona, estradiol e prolactina. Em casos selecionados, tratamento hormonal prévio otimiza a produção intratesticular.
- Investigação genética: cariótipo e microdeleções do cromossomo Y, que definem chances e contraindicações.
- Fatores metabólicos: obesidade e diabetes são otimizados antes da cirurgia.
- Sono e estilo de vida: tabagismo, álcool e apneia do sono são abordados.
- Saúde mental e relacionamento: o casal recebe orientação clara sobre chances e alternativas, o que reduz a angústia da espera.
- Imagem: ultrassom testicular para avaliar volume e excluir lesões.
O procedimento é sincronizado com a equipe de reprodução humana, para que os espermatozoides sejam usados na fertilização in vitro com ICSI no momento certo ou congelados para uso posterior.
Como é o procedimento
- Realizado em ambiente hospitalar, geralmente com anestesia geral ou raquidiana.
- Pequena incisão no escroto e abertura da túnica que envolve o testículo.
- Exploração sistemática do tecido ao microscópio, com retirada dos túbulos selecionados.
- Análise em tempo real pela equipe de embriologia, que procura espermatozoides.
- Se necessário, exploração do outro testículo.
A duração é variável, geralmente de uma a algumas horas.
Recuperação e riscos
A recuperação costuma ser tranquila, com retorno a atividades leves em poucos dias. Os riscos incluem dor, hematoma, infecção e, em parte dos homens, queda transitória da testosterona, acompanhada no pós-operatório.
| Técnica | Como funciona | Uso principal |
|---|---|---|
| PESA | Aspiração percutânea do epidídimo | Azoospermia obstrutiva |
| TESA | Aspiração testicular por agulha | Azoospermia obstrutiva |
| TESE | Biópsia testicular convencional | Casos selecionados |
| MicroTESE | Microdissecção com microscópio | Azoospermia não obstrutiva |
O que acontece com os espermatozoides encontrados
Durante a cirurgia, cada fragmento retirado é entregue ao laboratório de embriologia, que dissocia o tecido e procura espermatozoides ao microscópio. Essa busca em tempo real orienta o cirurgião: se espermatozoides são encontrados cedo, a exploração pode ser encerrada com menos tecido retirado; se não aparecem, outras regiões do testículo e, eventualmente, o outro lado são explorados.
Existem duas formas principais de organizar o uso do material. Na primeira, a microTESE é feita no mesmo dia ou na véspera da coleta de óvulos da parceira, e os espermatozoides são usados a fresco na ICSI. Na segunda, a microTESE é feita antes, os espermatozoides são congelados e o ciclo de fertilização in vitro é programado depois, com a certeza de que há material disponível. A escolha depende da logística do casal, da expectativa de sucesso e da orientação da equipe de reprodução.
MicroTESE na síndrome de Klinefelter
Homens com síndrome de Klinefelter (47,XXY) costumam ter testículos pequenos, FSH elevado e, com o tempo, testosterona baixa. Durante muitos anos, acreditou-se que a paternidade biológica fosse impossível nesse grupo. Hoje se sabe que parte desses homens mantém focos de produção que podem ser encontrados com a microTESE, especialmente quando o procedimento é planejado com cuidado.
Um ponto crítico é a reposição de testosterona. Muitos homens com Klinefelter recebem testosterona por causa dos sintomas de deficiência hormonal, mas ela suprime a pouca produção intratesticular. Quando há desejo de paternidade, o planejamento hormonal é feito antes da cirurgia, junto com a equipe de reprodução.
Cuidados no pós-operatório
- Suporte escrotal e compressas frias nas primeiras 48 a 72 horas, para reduzir inchaço.
- Analgésicos conforme prescrição, evitando anti-inflamatórios sem orientação quando há risco de sangramento.
- Evitar esforço físico e relações sexuais por cerca de duas a três semanas.
- Observar sinais de alerta, como inchaço progressivo, febre ou secreção na incisão, e comunicar a equipe.
- Dosar testosterona nos meses seguintes, conforme orientação, para identificar queda transitória.
Expectativas realistas
Na média, a microTESE encontra espermatozoides em uma parcela expressiva dos homens com azoospermia não obstrutiva, mas não em todos. O casal é orientado previamente sobre as chances do seu caso e sobre alternativas, como o uso de sêmen de doador, caso nenhum espermatozoide seja encontrado. Promessas de sucesso garantido não fazem parte de uma conduta responsável.
Homens com azoospermia não devem iniciar testosterona por conta própria: ela suprime ainda mais a produção intratesticular e pode reduzir as chances da cirurgia.
MicroTESE em Belo Horizonte
O Dr. Eduardo Mourthe tem ampla experiência com a microTESE e atua integrado à Clínica Huntington Pró-Criar Medicina Reprodutiva. A primeira avaliação acontece na Clínica Be Light, bairro Santo Antônio. Veja também infertilidade masculina e preservação da fertilidade.
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