Um tema cheio de distorções
Cansaço que não melhora com descanso, libido que desapareceu, ereções mais fracas, perda de força e gordura concentrada no abdômen. Muitos homens descrevem esse conjunto e, com razão, suspeitam da testosterona. Mas o tema se tornou um dos mais distorcidos da medicina masculina.
De um lado, homens com deficiência real passam anos sem diagnóstico. De outro, cresce o uso de testosterona sem indicação, por conta própria ou em protocolos de "otimização" sem exames adequados, com consequências como infertilidade, alterações do sangue e supressão prolongada da produção natural. O princípio é simples: antes de repor, é preciso confirmar a indicação e entender por que a testosterona está baixa.
O que é hipogonadismo
Hipogonadismo é a produção insuficiente de testosterona pelos testículos, com ou sem prejuízo da produção de espermatozoides, acompanhada de sinais e sintomas. A testosterona participa da libido, da ereção, da massa muscular e óssea, da distribuição de gordura, da produção de glóbulos vermelhos, do humor, da energia e da cognição.
Tipos de hipogonadismo
| Tipo | Onde está a falha | Padrão nos exames | Causas comuns |
|---|---|---|---|
| Primário | Testículo | Testosterona baixa, LH e FSH altos | Klinefelter, criptorquidia, caxumba, quimioterapia |
| Secundário | Hipotálamo ou hipófise | Testosterona baixa, LH e FSH baixos ou normais | Prolactina alta, tumores de hipófise, opioides, obesidade, anabolizantes |
| Funcional | Eixo íntegro, porém suprimido | Testosterona baixa com causa reversível | Obesidade, diabetes, apneia, sono ruim, álcool |
| Induzido por anabolizantes | Supressão do comando | LH e FSH baixos após o uso | Ciclos de testosterona e esteroides |
O hipogonadismo de início tardio, conhecido popularmente como andropausa, descreve homens mais velhos com testosterona baixa e sintomas, frequentemente com forte influência de comorbidades.
Sintomas
Mais específicos
- Redução da libido e dos pensamentos sexuais.
- Diminuição das ereções matinais e espontâneas.
- Disfunção erétil ou piora da resposta aos medicamentos.
Menos específicos
- Fadiga e falta de disposição.
- Perda de massa e força muscular com aumento de gordura abdominal.
- Humor deprimido e irritabilidade, com dificuldade de concentração.
- Redução de pelos, ginecomastia, anemia leve e perda de massa óssea em casos prolongados.
- Infertilidade e redução do volume testicular.
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Agendar pelo WhatsAppDiagnóstico correto: onde muitos erros acontecem
- Coleta no horário certo: entre 7h e 11h, preferencialmente em jejum.
- Dois exames alterados em dias diferentes. As diretrizes costumam usar como referência testosterona total abaixo de aproximadamente 300 ng/dL, sempre interpretada com os sintomas.
- SHBG e testosterona livre: obesidade e diabetes reduzem a SHBG e, com isso, a testosterona total, mesmo com a fração livre normal. O cálculo evita diagnósticos falsos.
- LH, FSH e prolactina: definem se o quadro é primário ou secundário e orientam a investigação, incluindo ressonância da hipófise quando indicado.
- Avaliação de base: hematócrito, PSA e exame da próstata conforme a idade, perfil metabólico, estradiol, sono e desejo de ter filhos.
Investigação clínica ampla
- Histórico clínico: criptorquidia, caxumba, traumas testiculares, tratamentos oncológicos e doenças crônicas.
- Fatores metabólicos: circunferência abdominal, glicemia, insulina e colesterol.
- Sono: ronco, pausas respiratórias e horas dormidas. A apneia reduz a produção noturna de testosterona.
- Saúde mental: depressão e estresse crônico imitam sintomas de deficiência hormonal.
- Uso de medicamentos: opioides, corticoides, anabolizantes e testosterona prévia.
- Estilo de vida: excesso de treino com déficit calórico, álcool e alimentação.
- Relacionamento: impacto da libido baixa no casal.
Tratamento conforme a causa
No hipogonadismo funcional, tratar a causa, especialmente com perda de peso, pode normalizar a testosterona sem reposição. Veja obesidade e testosterona. No hipogonadismo secundário em homens que desejam filhos, estimular a produção natural com hCG ou moduladores é preferível. A reposição de testosterona é indicada quando o hipogonadismo é confirmado, há sintomas e não existem contraindicações.
Riscos da automedicação e limites
Testosterona usada sem indicação causa infertilidade, atrofia testicular, aumento do hematócrito com risco de trombose, acne, queda de cabelo, ginecomastia e supressão prolongada do eixo hormonal. A prescrição com finalidade estética ou de ganho de massa muscular é vedada pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM nº 2.333/2023). E sintomas com testosterona normal têm outra causa, que precisa ser investigada.
Dor de cabeça intensa com alteração visual e testosterona muito baixa, ou produção de leite pelas mamas, podem indicar alteração na hipófise e exigem investigação sem demora.
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