O que é a doença de Peyronie
Perceber que o pênis passou a entortar na ereção, sentir dor ao ficar ereto ou encontrar um nódulo endurecido ao toque costuma provocar medo de câncer, de perda de função e de nunca mais conseguir ter relações. A causa mais frequente desse quadro é a doença de Peyronie.
Ela é a formação de uma placa fibrosa, uma cicatriz, na túnica albugínea, a membrana elástica que envolve os corpos cavernosos. Na ereção, a região da placa não se expande como o restante, e o pênis se curva em direção a ela, podendo também encurtar ou estreitar. A causa mais aceita é a cicatrização anormal após microtraumas durante a relação, muitas vezes imperceptíveis, em homens com predisposição.
Fatores associados incluem diabetes, tabagismo, disfunção erétil, cirurgias prévias da próstata, idade acima de 40 anos e doenças do tecido conjuntivo, como a contratura de Dupuytren, que causa retração dos tendões da palma da mão.
Curvatura congênita ou doença de Peyronie?
| Característica | Curvatura congênita | Doença de Peyronie |
|---|---|---|
| Início | Desde a adolescência | Vida adulta |
| Dor | Ausente | Frequente na fase inicial |
| Placa palpável | Não | Geralmente sim |
| Evolução | Estável | Pode piorar até estabilizar |
| Encurtamento | Não | Frequente |
Pequenas curvaturas congênitas são variações normais e só têm indicação de tratamento quando dificultam a penetração.
As duas fases da doença
Fase aguda (inflamatória)
Dura em geral de 6 a 18 meses, com dor na ereção, placa em formação e curvatura que muda, geralmente piorando. Nessa fase, cirurgias corretivas não são indicadas. O foco é controlar a dor, limitar a progressão e preservar o comprimento.
Fase crônica (estável)
A dor desaparece e a curvatura se estabiliza por pelo menos 3 a 6 meses. A placa pode endurecer e calcificar. É o momento em que a correção cirúrgica pode ser planejada com segurança, se houver indicação.
Tipos de deformidade
- Curvatura dorsal (para cima): a mais comum.
- Curvatura ventral (para baixo): menos comum e geralmente mais incômoda para a penetração.
- Lateral ou multiplanar: para os lados ou em mais de uma direção.
- Estreitamento em ampulheta: afinamento que pode causar o efeito dobradiça, em que o pênis "dobra" na relação.
- Encurtamento: muito frequente e, para muitos, a queixa mais angustiante.
Curvatura, dor ou nódulo no pênis? Quanto antes a avaliação, maiores as chances de preservar comprimento e função.
Agendar pelo WhatsAppInvestigação clínica
- Histórico clínico: início, dor, evolução da curvatura, traumas percebidos e impacto na relação.
- Exames hormonais e laboratoriais: glicemia, hemoglobina glicada e testosterona, que influenciam a qualidade do tecido cavernoso.
- Fatores metabólicos: diabetes e tabagismo associados à doença e à disfunção erétil.
- Sono e saúde mental: a doença causa sofrimento importante, e ansiedade e depressão são frequentes.
- Uso de medicamentos: revisão de medicações e de tratamentos já tentados.
- Estilo de vida: tabagismo e atividades com risco de trauma peniano.
- Relacionamento: dificuldade de penetração e dor na parceria.
- Documentação da curvatura: fotografias da ereção em diferentes ângulos ou avaliação em ereção induzida no consultório.
O Doppler peniano localiza e mede a placa, identifica calcificações, mede a curvatura em ereção plena e avalia a circulação, dado fundamental para escolher a técnica cirúrgica.
Tratamento na fase aguda
- Controle da dor com anti-inflamatórios, quando necessário.
- Terapia de tração peniana: dispositivos usados algumas horas por dia, que ajudam a reduzir a curvatura e, principalmente, a preservar ou recuperar parte do comprimento. Exigem disciplina por meses.
- Injeções intralesionais: medicamentos aplicados na placa, em ciclos, em casos selecionados, combinados com tração e modelagem.
- Tratamento da disfunção erétil associada, que também ajuda a oxigenar o tecido.
A maioria dos medicamentos orais estudados tem evidência fraca para corrigir a curvatura. Vitamina E e outros suplementos isolados não são recomendados pelas diretrizes atuais. Na fase crônica, as opções cirúrgicas estão detalhadas em cirurgia da curvatura peniana.
O que o tratamento pode e não pode oferecer
- A doença não é câncer e não se transforma em câncer.
- Parte dos casos estabiliza com curvaturas pequenas que não exigem cirurgia.
- Nenhum tratamento clínico elimina completamente a placa. O objetivo é função sexual satisfatória e sem dor.
- A cirurgia busca um pênis funcionalmente reto, não perfeitamente retilíneo.
- O comprimento perdido raramente é recuperado integralmente. Tratar cedo, com tração, é a melhor forma de preservá-lo.
Estalo durante a relação seguido de dor intensa, perda súbita da ereção e inchaço roxo do pênis sugerem fratura peniana, uma emergência que exige atendimento imediato.
Riscos da automedicação
Cremes, suplementos e aparelhos comprados pela internet prometem "endireitar o pênis" sem base científica. Bombas a vácuo usadas de forma inadequada podem causar lesões. E adiar a avaliação na fase aguda desperdiça a melhor janela para preservar o comprimento.
Peyronie em Belo Horizonte
O Dr. Eduardo Mourthe acompanha a doença de Peyronie na Clínica Be Light, bairro Santo Antônio, com Doppler peniano no consultório e planejamento de cada fase. Veja também disfunção erétil, frequentemente associada.
Percebeu mudança no formato do pênis? Agende a avaliação na fase inicial.
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